sábado, dezembro 06, 2008

Éramos 12 irmãos. A minha irmã Dora, a mais velha, partiu cedo. Tinha apenas 50 anos. É saudosamente recordada amiúde por todos nós.
Gostamos de estar juntos, adoramos trocar impressões, conversar e, volta não volta, ensaiamos verdadeiros debates sobre temas acerca dos quais cada qual tem uma ideia muito própria. As nossas tertúlias fazem-se sempre à volta de uma mesa onde tanto pode estar um café como uma lauta refeição ou coisa nenhuma. Depende dos tempos. E tempos houve em que, os meus irmãos e demais família que se refugiaram no Timor indonésio em 1975 se reuniam à volta de uma mesa vazia e, de entre eles, os que depois se juntaram aos que já se encontravam em Portugal se encontravam vezes sem conta no Vale Jamor - onde viviam os refugiados timorenses – à volta de outra mesa ora sem coisa nenhuma, ora com um sucedâneo de café ( que o dinheiro não chegava então para o café puro...) ora com um franganito com imensa batata e arroz para umas 30 pessoas. Mas, quando nos juntamos e não há problemas de maior, divertimo-nos!
Nestas últimas semanas, temo-nos juntado sem alegria e não à volta de mesa nenhuma nem mesmo para debater ideias ou simplesmente conversar sobre as triviais coisas do quotidiano. Os nossos dias são ora partilhados entre o trabalho, idas breves a casa e permanências mais longas – tanto quanto nos é permitido pela instituição - ao Hospital Nacional Guido Valadares.
O nosso irmão Manuel, cujo sorriso aberto transmite a bondade do seu carácter, está bastante doente. Luta corajosamente contra a doença. Traz-nos, a mim, aos meus irmãos, com o coração na boca, tão grave é o seu estado de saúde. E como desejamos que ele melhore!

segunda-feira, dezembro 01, 2008

sexta-feira, novembro 07, 2008

Sandra


Para a mais bela flor, no dia em que faria 38 anos.
Que saudade!

sexta-feira, outubro 31, 2008

Há muito tempo que não posto nada. Mas ontem, ao ler a mensagem que deixou a Eurídice fiquei tão sensibilizada que entendi que devia voltar a marcar presença do lado de cá do Mundo, da terra que o Sol em nascendo vê primeiro...

Não prometo escrever muito porque o tempo é curto. Por outro lado, nem sempre a disposição é das melhores. Como agora, por exemplo, que se aproxima o dia de Finados e a minha alma estremece de saudade e de dor pela ausência dos que partiram desta Vida. Depois, virá o dia 7 de Novembro, dia em que invariavelmente caio numa tristeza profunda faça sol ou chuva... porque no dia 7 de Novembro a Sandra faria anos. Entre as memórias das festas felizes da sua infância juntam-se outras mais dolorosas dos tempos em que sabia que aquele dia iria repetir-se por muitos poucos mais...

domingo, junho 29, 2008

Tristeza

As cores de fim de tarde são belas mas enchem-me de uma angústia inexplicável. Bom, verdadeiramente inexplicável, não. Não será bem assim...A angústia é que surge quando menos espero.
Olho para as plantas e lembro-me da Sandra… Se pouso o olhar na água a saltitar, recordo a Sandra de novo… Oiço um pássaro trinando e ela, de novo! Sandra, minha Sandra.
Tudo me provoca saudade e uma imensa dor.
É assim a Vida. Quando alguém de quem gostamos muito parte desta Vida, a dor nunca passa. Abranda mas não passa.

Estou triste.


quinta-feira, fevereiro 28, 2008


Sandra Sofia,
Sempre no meu coração....

sexta-feira, fevereiro 15, 2008


A minha amiga Ivone pergunta-me como estou.

Mal, respondo eu. E triste, porque nunca me passou pela cabeça que o meu país do Sol Nascente pudesse ser palco de um acto tão violento quanto desnecessário. Envergonhada, embora sem conhecer nem ter nada em comum com os autores de tão vil acto. E, mesmo acreditando que foram timorenses, também quero crer que eles foram simples executores ao mando de alguém que ainda permanece na sombra...

Talvez seja uma forma de auto-defesa esta de pensar que alguém está por detrás disto... É que não é nada fácil engolir o orgulho que sinto – comum, aliás, a todos os timorenses - por aqui ter nascido e concluir que, afinal, entre nós os há tão loucos e insensatos iguais ou piores aos de outros sítios igualmente loucos...

É deixar passar os dias e talvez que um dia destes volte a acreditar que somos uma povo de excepção!

domingo, fevereiro 10, 2008


Um beijo especial para ti, minha querida amiga Ivone.
Quem me dera que pudesses crer que a Vida não acaba aqui!

sábado, janeiro 12, 2008

Arco íris na baía em dia cinzento, quente e húmido, de mar revolto, de águas turvas.

segunda-feira, dezembro 31, 2007


No último dia do ano pára-se um pedaço, reflecte-se sobre a vida e fazem-se bons propósito para o ano que vai chegar. É assim ano após ano; erramos, corrigimos..., voltamos a errar num claro sinal de que nem sempre aprendemos com os nossos erros… Mas, porque errar é humano, o que importa é recomeçar desejando sempre fazer mais e melhor. Às vezes até conseguimos! E se não conseguirmos, voltaremos a tentar!
E às vezes, tudo parece intrincado como os vários troncos desta árvore. Mas, veja-se, lá mais ao fundo, o Sol brilha!
No limiar de mais um ano, faço votos de que 2008 seja portador de tudo o que de bom haja e que cada um de nós deseje.
No fundo, no fundo o que queremos é ser felizes! Por isso aqui ficam os meus desejos de que o ano de 2008 traga uma mar de felicidade para todos! Felizes com paz, saúde e muito, muito amor!

terça-feira, dezembro 25, 2007


No dia em que nos juntámos sete irmãos e quase sete dezenas de familiares e amigos, agora que de mansinho vou dizendo “vim da festa… “ – tão alegre e tão bela foi a festa! - , ainda me sobra ânimo para vos desejar um bom e Santo Natal!

sábado, dezembro 01, 2007


No Dia Mundial da Luta contra a Sida,
Uma flor para os que sofrem…
Uma flor pelos que partiram…
Uma flor,para ti, Sandra Sofia…

quarta-feira, novembro 07, 2007


À minha filha Sandra Sofia

No azul do céu, por detrás da nuvem, do Sol, da Lua, das estrelas... No canto do pássaro, em cada amanhecer, no perfume da flor, por entre a ramagem das árvores, nas ondas do mar, no rumorejar da nascente, no sorriso de uma criança. Perto, distante... e sempre no meu coração vive suave, doce, rebelde, frágil, belíssima Sandra, minha princesa, milha filha...

Tanta saudade, Sandra Sofia!

quarta-feira, outubro 24, 2007


Quis o destino que o dia do seu nascimento fosse também o dia da sua partida para uma outra vida!
O nosso pai foi um grande homem. Marcou-nos para o resto da Vida. Não será demais dizer que o nosso pai burilou o nosso carácter. Ensinou-nos o valor de cada sentimento, a relatividade dos bens materiais e a capacidade de enfrentar qualquer dificuldade.
Com ele aprendemos a valorizar a família, a respeitar o próximo e a defender com honestidade as nossas convicções.
Amou profundamente a minha mãe, tratou-a com o máximo respeito e também por isso nos deixou como legado a certeza da igualdade homem-mulher.
Corajoso, determinado, leal, honesto, humilde, sábio e possuidor um coração do tamanho do Universo, assim era o nosso pai.
Os nossos pais fazem-nos falta. Quando vamos à Fazenda Algarve, sentimos que aquelas cadeiras onde o papá e a mamã se sentavam olhando-nos ou conversando connosco serão sempre as cadeiras deles. Não os vemos mas sabemos que estão lá. Lado a lado, como sempre estiveram enquanto foram vivos.
No dia em que passa o 106º aniversário do seu nascimento e o 30º da sua partida, um beijo para o meu pai.

sábado, outubro 13, 2007


Ainda não andei por lá, mas sei que é ali que se prepara o sal que não é tão salgado quanto o sal normal de Portugal ou da Austrália, por exemplo.
E agora, das salinas para o Liceu Dr. Francisco Machado.

Da Costa da Caparica pergunta-me o amigo Luís quem era o homem que deu o nome ao Liceu.
O Dr. Francisco Vieira Machado foi um dos primeiros directores (ou gerentes) do BNU, o Banco Nacional Ultramarino de Díli. E enquanto cá esteve resolveu fundar o Liceu primeiramente denominado Dr. Vieira Machado.
Só o vi uma vez quando, passados muitos anos sobre a sua primeira estada em Timor, voltou no âmbito em visita de trabalho ao BNU. Era então um senhor de cabelos brancos e foi recebido com as honras devidas no Liceu. É só o que sei do fundador do liceu por onde passaram quase todos os grandes nomes da Resistência Timorense.

terça-feira, outubro 09, 2007


O Liceu Dr. Francisco Machado traz-me recordações felizes de um outro tempo,de quando apenas os dias luminosos da juventude e da vida de estudante eram ensombrados por nuvens cinzentas protadoras de uma nota negativa, uma falta disciplinar e o respectivo “castigo” em casa. Este último era bem pior porque ficávamos – eu e os meus irmãos – confinados ao espaço do quarto e impedidos de participar nas refeições e, consequentemente, nas conversas que, diariamente, juntavam a uma grande mesa, os pais, filhos e netos.
Hoje já cá não estão os pais nem a irmã mais velha e alguns netos partiram antes do seu tempo.

Dos tempos sem sombra de partida de ninguém bem como dos ausentes ficou-nos profunda saudade
E das reuniões do tipo assembleia geral de família ficou-nos o hábito do convívio familiar com conversas infindáveis sobre tudo o que nos apetecer discutir, em conversas que duram horas a fio entre uma chávena de café, uma banana frita, uma feijoada, muito riso,alguns momentos de reflexão, uns de euforia, outros de melancolia, outros de exaltação... tudo saudavelmente partilhado!

sexta-feira, outubro 05, 2007


À chegada a casa, qualquer que seja a hora e depois de uma efusiva recepção ao portão, os nossos seis ferozes guardas (para os forasteiros com más intenções, claro!) esperam-nos junto das escadas onde só sossegam depois de devidamente “cumprimentados” por nós. Festinha aqui, festinha ali e Dondoca, Piloto, Pé-de-Vento, Flecha, Liurai e Bainó, seis amigos leais, meigos e dóceis descansam depois, mantendo-se sempre de ouvido à escuta e ladrando ao primeiro sinal de movimento anormal nas proximidades do seu território.

terça-feira, outubro 02, 2007


Durante os anos da minha juventude o dia 1 de Outubro era dia de grande festa na casa dos meus pais. Juntavam-se os filhos, os netos, os amigos e a festa ia até às tantas… Hoje, é dia de saudade, de recordar a Mulher que é uma séria referência na nossa vida - minha e das minhas irmãs. Recordo a minha mãe que faria hoje 96 anos.

Do outro lado do Mundo, ela continua, estou certa, a zelar por todos nós. Hoje, como há muito tempo, um beijo para a minha mãe.

terça-feira, setembro 18, 2007


Perguntava a Ivone onde iria eu. Não, Ivonita, não fui a lado nenhum. Só não tenho tido tempo para postar.
Se tivesse cruzado os céus e fosse espairecer lá fora, veria Timor lá do alto assim como vos mostra a foto.
Nunca me canso de dizer quão belo é Timor-Leste e, sempre que vou a Bali ocorre-me sempre a frase de um amigo que dizia com certa graça que "Bali não bale nada ao pé de Timor".
Pois não! Só que eles, os balineses, têm juízo e tratam da vidinha. Nós, preferimos insultar, apedrejar, destruir, tratando da vida de outros...

terça-feira, setembro 11, 2007


Um destes dias, volto!
Até lá, sempre vos deixo esta bela fotografia de um fim-de-tarde num dos pedaços de paraíso em que Timor é pródigo… paredes meias com uma zona de instabilidade
constante, em Hera, a caminho de Manatuto.