
A foto do post anterior é realmente de Laga.Esta, é de Manatuto. Com as chuvas, talvez a montanha tenha perdido o castanho e esteja mais verde. Talvez, digo eu, em adivinhação...
Espaço aberto, janela escancarada para o Mundo que se adivinha para lá do mar azul que se espraia ao longe, feito de palavras, de ideias e de imagens, belas, diferentes, exóticas como o país de onde escrevo...
Uma das vezes em que andei a passear pelo leste do país – quando fazia parte do programa de fim-de-semana viajar pelo país para melhor o conhecer -, passei por Klalerek Mutin, uma aldeia minúscula, pouco populosa. Ali houve um massacre nos tempos da ocupação indonésia, tendo morrido a quase totalidade das pessoas.
Ps: Não há nada como ter leitores bem informados e cultos. Obrigada, Augusto Lança, pelo rigor. É mesmo um akadiro!

A praia é linda, a água recomenda-se. Era assim em 2004 quando a foto foi tirada. Deve continuar tudo igual.
Eu é que não vou à praia, nem aqui em Díli nem fora da cidade, há quase um ano! O tempo que dura a insegurança.
Bem, tristezas não pagam dívidas e, o melhor, é deixar o olhar preso à paisagem ainda que através de fotografia… É pouco, quase nada mas, nas actuais circunstâncias, é o que se pode arranjar.
Chove a cântaros e o barulho da água a bater no telhado de zinco a que se junta o ruído dos trovões é ensurdecedor.
Apesar do barulho, a água que cai con tanta força provoca uma sensação agradável, porque diminui o calor característico desta época do ano, a poeira desaparece e as plantas tornam-se mais verdes.
Quando eu era mais catraia, eu e os meus três irmãos mais novos, Quico, Gabriela e Natália e os nossos sobrinhos mais velhos, adorávamos andar à chuva. Ficávamos molhadinhos que nem uns pintos mas, enquanto a chuva caía ninguém nos apanhava em casa, entretidos que andávamos com a paródia que, por vezes, também podia acontecer na praia. É óptimo estar no mar ao mesmo tempo que chove!
Não me lembro, de nessa altura, algum de nós apanhar um resfriado ou adoecer da garganta... Mas, se fosse hoje, em que a idade é outra (bela maneira de admitir que estamos a caminho da terceira idade, não é?) era trigo limpo que, umas horitas depois, haveríamos de estar com 40º de febre...
Ai, como o tempo passa!

Há flores de todas as cores e de muitas variedades. Estas, encontrei-as no alpendre de uma casa pobre de uma aldeia perdida, lá para os lados de Viqueque.
Às vezes sabe bem recorrer a estes estratagemas simples para nos sentirmos um bocado mais reconfortados com a natureza do ser timorense. É que se há tempo para plantar uma flor, então é porque somos, ainda que num canto recôndito, bem escondido, do nosso eu, seres sensíveis e amantes do belo.
Estou mesmo a precisar de fazer festinhas ao meu ego magoado...


Na areia desta praia sentei-me muitas vezes olhando o infinito. Outras tantas, eu, a Tininha e o Hélder, às 6h30 (da manhã!), andávamos praia fora até à ribeira de Comoro, tomávamos um bom banho - a temperatura da água não podia ser melhor! -, víamos regressar os beiros de pesca, metíamos conversa com o pescador e voltávamos prontos para um dia de trabalho, não sem antes comentarmos uns com os outros, repetidamente: Ah, isto é que é qualidade de vida!
Há dias o Luís escrevia num tom céptico sobre a cor vermelha das lagoas de Taci Tolu de que lhe falou uma amiga a trabalhar em Timor.
Eu também estava tão céptica quanto o Luís até que apanhei o avião há uns dois meses e reparei lá de cima que as lagoas tinham mesmo o tom avermelhado cor de sangue que os timorenses - sempre a pender para o lado misterioso das coisas – interpretam como sendo sinal de mau agoiro...
Naturalmente tem de haver uma qualquer explicação lógica. Mas, o mais comum dos mortais sabe lá de química ou física que esteja por detrás da mudança de cor das lagoas!
Não sabendo e havendo que arranjar uma explicação para o fenómeno, nada melhor que adaptar a natureza à vontade dos homens... E a vontade dos homens – já que está tão difícil saber-se quem engendra a violência em Timor – é descartar a responsabilidade humana da violência e dos problemas que vivemos e atribuí-los a seres e coisas de outro Mundo...
Vá lá, Luís, deixe o pessoal pensar que é tudo culpa de outrem...

Nunca fui ágil como o rapaz que vai apanhar cocos quase no cocoruto dos céus. E tenho inveja, está bom de ver, de nunca ter visto o resto do Mundo lá de cima. Contento-me, sim, em beber água de coco e comer o miolo do mesmo sempre que me apetece.
Agora, vendem-se cocos à beira mar, tipo refresco. Sabe bem, asseguro!
Como bebi muita água de coco durante toda a minha vida, e fazendo fé na crença popular que diz que, quem bebe água de coco fica apaixonado por Timor e daqui não sai ou aqui voltará muitas vezes, acho que estou “condenada” a ficar por aqui. Mas é uma condenação que cumpro sorridente!
Mais um recanto da minha alegre casinha... Quando o calor aperta - e porque nós gostamos de almoçar olhando a paisagem - colocamos a mesa na esquina da varanda e não há calor que resista...
Fim de tarde com queijo da serra, queijo de Azeitão e paio em casa da Natália e do Álvaro. Deu para matar saudades!Até bebi meia taça de vinho tinto. Ah, e também comemos tremoços que preparei pela primeira vez, deixados de herança pela minha sobrinha Tininha que regressou à Austrália.! Depois, ao jantar, comemos um pato de cabidela que estava uma delícia. E, como não tenho juízo nenhum, ainda comi uma excelente manga do quintal. Como não tenho vinte anos, sinto-me um bocadito enfartada… mas soube-me tão, tão, mas tão… bem que nem imaginam… Vindo ao blog, deparei com alguns comentários de novos bloguistas. Um, já visitei e gostei - que bela pintura a da minha irmã Gabriela! - e agora irei dar uma vista de olhos aos dreams da Leninha. Amanhã conto!
Ossoroa, em Ossú. Aldeia perdida entre caminhos, tranquila, de campos a perder de vista, com a meia dúzia de moradores a deitar-se com as galinhas, ainda mal o sol desapareceu por detrás de outras montanhas e a acordar com os galos, de madrugada, quando ainda não há sequer vislumbre do despontar do astro rei. Belíssimo Timor!
Pedaço do meu jardim.
De um grupo de doze irmãos (éramos 14, mas não conheci dois dos meus irmãos mais velhos que morreram pequeninos), sete raparigas e cinco rapazes, a Natália é a mais nova. Quando nasceu, já a minha mãe tinha 42 anos e o meu pai, 52, o que fazia dela mais filha-neta do que eu e a Gabriela.
A minha mãe enchia-a de mimo. Ela era uma menina, com muitas bonecas de porcelana, de cabelo loiro, enquanto eu e a Gabriela, mais arrapazadas, nos perdíamos com descobertas de ovos de cobras, duendes e almas do outro Mundo.
Um dia, era de manhã bem cedo, lá na Fazenda, na varanda, reparei que a Natalita chorava alto ao colo da minha mãe, com as pálpebras fechadas por força da ramela que não a deixava abrir os olhos.
Isto aconteceu há mais de 50 anos (caramba, estou mesmo feric!) mas nunca me esqueci do meu ataque de ciúmes. Quando percebi que a minha mãe lhe tentava abrir os olhos com um algodão embebido em água morna de uma tigela onde nadavam umas pétalas de rosa cor da dita cuja, eu, que estava um bocado afastada -e embora também fosse uma coisinha minúscula de três anos tinha os olhos bem abertos - pensei com os meus botões que não era justo que não tivesse acordado também com ramela!
Quando eu era garota e vivia na Fazenda Algarve, eu, a Gabriela e a Leonor vimos muitos duendes que vinham brincar connosco surgindo de repente por detrás de árvores idênticas a estas. Na altura, o lugar era mais fechado, e a vegetação mais luxuriante. Era tudo muito mais selvagem, e muito, muito mais misterioso!
Passávamos o dia fora de casa para onde só regressávamos ao cair da noite. Então era tomar um banho, jantar e conversar sobre as nossas brincadeiras e os nossos encontros de terceiro grau.
E nem vale a pena alguém vir dizer-nos que eram coisas de miúdos porque nós, ainda hoje acreditamos que eles, os duendes, existiam. Pois se apareciam todos os dias por detrás destas madres-del-cacau!