sábado, maio 19, 2012
Só!
Sem lágrima
sem riso
sem voz,
mulher dolorida
a vida desfeita
estuprada
na mata
pariste teu filho.
Da mata o levaram
em noite escura
se perdeu teu filho.
Envolto nas brumas
o corpo frio
destroçado
à vala se deu! (Díli, 2012)
sábado, março 24, 2012
Até sempre, João!
domingo, setembro 04, 2011
Vaga, no azul amplo solta...
“Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.”
Fernando Pessoa
sábado, julho 02, 2011
Não conheci Angélico Vieira, mal conheço a sua música e, no entanto, a morte deste jovem deixou-me angustiada.
Em catadupa, voltaram as minhas lembranças, a dor, a tristeza...
Recordei a minha filha Sandra desaparecida na flor da Vida... imaginei a dor imensa da mãe de Angélico. Naturalmente, agora como em Fevereiro de 1995, não pude deixar de sentir alguma revolta pela injustiça de que sempre se reveste a chegada da morte, essa poderosa e inevitável inimiga...
E, mesmo tendo plena consciência da sua inevitabilidade, sempre que um jovem parte, pergunto-me ”porquê?”
quinta-feira, junho 30, 2011
terça-feira, novembro 23, 2010
A palmeira da Sandra
Esta palmeira do jardim da casa da minha irmã Maria foi ali plantada pela minha filha quando esteve em Darwin de férias. Conta a minha mana que foi a Sandra que a ofereceu e plantou quando se mudaram para esta casa, dizendo que “ casa nova, planta nova”. Curioso é que todas as outras palmeiras cresceram e esta, mantendo-se embora verde, pouco mais cresceu... Ainda hoje a minha irmã se lhe refere como a "palmeira da Sandra"!
domingo, novembro 07, 2010
segunda-feira, novembro 01, 2010
domingo, fevereiro 28, 2010
sábado, agosto 29, 2009
Há, certamente, muitos heróis e muitos “fazedores” do Referendo de 30 de Agosto de 1999. Hoje, porém, entendo que devo recordar alguém que se bateu corajosamente em tempos difíceis pelo Referendo em Timor. Dez anos depois dessa data histórica, pelo exemplo de coragem, de generosidade e de humildade, deixo aqui a minha homenagem sentida a esse homem muito especial que já não faz parte do nosso Mundo mas que permanecerá para sempre nos nossos corações: o meu irmão Manuel!
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Viajar por Timor-Leste é um regalo para os olhos! Porque Timor é bem mais bonito do que se imagina e, a cada curva de estrada, a paisagem surge diferente. Esta foto foi tirada a caminho de Aileu, a poucos quilómetros de DÍLI. Uma cidadezinha fresca, limpa, agradável.
Desde miúda que gosto do nevoeiro, tão raro em Díli. Na montanha, gosto da sensação de ver chegar aquele manto branco que, muitas vezes atravessa o sítio onde estamos, entra pela janela da casa e nos deixa sem ver um palmo em frente do nariz... Claro que digo que gosto porque os dias em Timor-Leste são sempre muito luminosos e o nevoeiro, quando não em dias seguidos, é sempre algo de novo. ..Se vivesse no Tata Mai Lau, que está quase sempre enevoado, se calhar não iria achar muita graça...
quarta-feira, dezembro 31, 2008
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
PS. Amanhã, quando a Internet estiver menos lenta, adiciono a foto...
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Boas Festas!

"Que é o Natal? É a ternura do passado, o valor do presente e a esperança do futuro. É o desejo mais sincero de do que cada xícara se encha com bênçãos ricas e eternas, e de que cada caminho nos leve à paz."-Agnes M. Pharo
"Sugestões de presentes para o Natal: Para seu inimigo, perdão. Para um oponente, tolerância. Para um amigo, seu coração. Para um cliente, serviço. Para tudo, caridade. Para toda criança, um exemplo bom. Para você, respeito." -Oren Arnold
sábado, dezembro 06, 2008
Éramos 12 irmãos. A minha irmã Dora, a mais velha, partiu cedo. Tinha apenas 50 anos. É saudosamente recordada amiúde por todos nós.
Gostamos de estar juntos, adoramos trocar impressões, conversar e, volta não volta, ensaiamos verdadeiros debates sobre temas acerca dos quais cada qual tem uma ideia muito própria. As nossas tertúlias fazem-se sempre à volta de uma mesa onde tanto pode estar um café como uma lauta refeição ou coisa nenhuma. Depende dos tempos. E tempos houve em que, os meus irmãos e demais família que se refugiaram no Timor indonésio em 1975 se reuniam à volta de uma mesa vazia e, de entre eles, os que depois se juntaram aos que já se encontravam em Portugal se encontravam vezes sem conta no Vale Jamor - onde viviam os refugiados timorenses – à volta de outra mesa ora sem coisa nenhuma, ora com um sucedâneo de café ( que o dinheiro não chegava então para o café puro...) ora com um franganito com imensa batata e arroz para umas 30 pessoas. Mas, quando nos juntamos e não há problemas de maior, divertimo-nos!
Nestas últimas semanas, temo-nos juntado sem alegria e não à volta de mesa nenhuma nem mesmo para debater ideias ou simplesmente conversar sobre as triviais coisas do quotidiano. Os nossos dias são ora partilhados entre o trabalho, idas breves a casa e permanências mais longas – tanto quanto nos é permitido pela instituição - ao Hospital Nacional Guido Valadares.
O nosso irmão Manuel, cujo sorriso aberto transmite a bondade do seu carácter, está bastante doente. Luta corajosamente contra a doença. Traz-nos, a mim, aos meus irmãos, com o coração na boca, tão grave é o seu estado de saúde. E como desejamos que ele melhore!




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